sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Festa na Prisão"

Vem hoje no Diário de Notícias em fecho de edição, sendo que, se não me engano, a notícia já passou ontem pelos jornais do mundo e até com mais desenvolvimento e pormenor. Aqui não, vem na última página e merece apenas uma meia dúzia de linhas sob o título de "Insólito". E talvez seja.

Enfim, quase tão insólito quanto ter ouvido Lars von Trier dizer em Cannes que compreendia de certa forma o pensamento de Hitler, ou qualquer coisa perto disso, rematando que isso não queria dizer que odiasse judeus, apesar de não morrer de amores pela actual governação em IsraeI. Como se sabe, estas declarações valeram ao realizador ser carimbado como persona non grata no festival...

Mas, vamos ao DN.
Insólito portanto.
Diz o DN, que um hotel na Alemanha está a propor aos turistas reviver a experiência dos presos do regime nazi. Acrescenta-se depois que o Stadt Hameln, o hotel, foi de facto uma prisão politica do Governo do 3º Reich e que agora a administração do hotel avançou com esta campanha a que chamou: "Festa na Prisão".

Festa na Prisão, portanto... invocando assim o ambiente das prisões políticas do tempo de Adolf Hitler... Festa na Prisão.
"Hotel propõe estada em regime nazi e chama-lhe Festa na Prisão..." diz a notícia...o que não diz é se alguém já se terá indignado, ou mostrado no mínimo surpreendido com tão peregrina ideia e é bem provável que isso nunca venha sequer a acontecer... quanto mais não seja porque aqui não é directamente a figura de Hitler que é invocada, mas antes as vítimas do regime nazi... aqui, o que se pretende reviver de forma alegórica e cosmopolita é o pesadelo dos que morreram, ou antes, o sofrimento a que foram sujeitos durante o cativeiro... o que faz toda a diferença, como é fácil de ver.

Diz a notícia, que o que se propõe é reviver a experiência dos presos do regime nazi...
O que a notícia não diz é se a estadia neste moderno hotel alemão inclui pequeno almoço, nem se os quartos têm chuveiro... esperemos bem que não... digo eu, que não tenham chuveiro, porque, para levar a coisa a sério e respeitar o rigor histórico... talvez seja de bom aviso, os hóspedes de tão emocionante experiência evitarem tomar duche no hotel.. não por nada em especial, só que, parece que naquela altura... no 3º Reich, a Alemanha tinha alguns problemas técnicos a lidar com chuveiros e coisas dessas.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Chiça!

Vem no Público e apresenta-se assim: Pedro Passos Coelho defende que a criação de uma possível União Nacional é uma perversão...

Relembra-se, no desenvolvimento da pequena notícia, que, ontem , nos discursos oficiais da celebração do 25 de Abril, os antigos presidentes da república, convidados por Cavaco Silva para o evento, apelaram à coesão nacional e a entendimentos governativos... um governo de união nacional... eventualmente algum dos ex presidentes terá usado mesmo essa expressão... é bem possível que sim.
Agora Passos Coelho usa-a e usa-a para a denunciar como coisa de triste memória.
Citemos: “ter a ideia de que, como estamos com um problema muito sério para resolver, temos de fabricar em Portugal uma espécie de União Nacional é uma perversão, ainda para mais a ser invocada num dia como este, porque a União Nacional não é desejada em Portugal, nem pelos que têm memória da que já existiu, nem por aqueles que, com prudência, aprendem lições do passado.” – fim de citação.

E no princípio era portanto o verbo... neste caso as palavras... União e Nacional, que assim juntas e em maiúscula fazem lembrar ao jovem líder social democrata os tempos da outra senhora... o Portugal de partido único...talvez seja essa a perversão suprema... seguindo o fio de raciocínio de Passos Coelho... numa situação em que estamos com um problema muito sério para resolver, em que a União, a Unidade, a Coesão, o Consenso Nacional se revela pedra de toque de todas as soluções que se conseguirem inventar... a memória nos pregar esta partida e remeter-nos assim de repente para a longa noite fascista... e tudo só por causa de um nome, de um par de palavras.
Nazi... nazi, de nazional sozialism... aí está mais um par de palavras de má memória, que, vá lá, não o suficiente para comprometer o conceito, ou mesmo o uso da palavra socialismo, ou para coibir alguém de falar em nome do interesse nacional...

Enfim, e sem fugir ao assunto, temos que não agrada e traz más recordações a Passos Coelho, a expressão União Nacional... e pensarmos nessa outra, a que a União Nacional de Salazar deu depois lugar, já no consulado de Marcelo Caetano ... a Acção Nacional Popular... que esta então, meus amigos... Acção Nacional Popular cheira a maoismo que tomba.
 
Chiça!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

a galinha e o hamburguer

perguntava um: o senhor já alguma vez viu uma criança a correr atrás de uma galinha para lhe roubar a pequena côdea que levava no bico?
respondia o outro: isso não, mas já vi uma galinha a correr atrás de uma criança para lhe roubar o hamburguer

que falta de esquecimento !

Participei ontem e hoje, em Budapeste, na reunião dos nove Chefes de Estado da União Europeia que constituem o chamado Grupo de Arraiolos. Tive ocasião de lhes explicar a situação politica e económica que Portugal vive. Encontrei da sua parte uma grande compreensão e simpatia, bem como confiança na capacidade dos Portugueses para ultrapassar as actuais dificuldades.

(in Cavaco Silva's Facebook - 9/4 -19.03h)



oh diabo! então e o Grupo de Arraiolos falou disso tudo e dos chamados tapetes nem nada?!!!
que falta de esquecimento, francamente!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

estás mais parvo, ou mudaste de penteado?...

Vem com chamada de capa no Correio da Manhã de hoje e diz que a TVI proibiu a utilização das imagens da gaffe de Sócrates.
Ora, comecemos por aqui, que, se gaffe houve, foi de quem filmou e lançou para o ar, não se sabe se de propósito, se inadvertidamente, as imagens do primeiro ministro a ensaiar a pose e o som antes da comunicação ao país, sobre a vinda do FMI a Portugal... Decerto ainda se lembram... oh luis está melhor assim, ou assado e essas coisas... Portanto esta questão da gaffe fica arrumada. Sócrates estava, como decerto costuma, a fazer o que, em linguagem técnica de espectáculo, se chama sound check – neste caso som e imagem. São coisas e momentos que não costumam ir para o ar, pela razão simples de que são simples ensaios e não a coisa em si.. ou seja, é como ir à Ópera... o público paga o bilhete para assistir ao espectáculo, não para ver os ensaios da orquestra. Adiante.

Ora, diz então que a TVI proibiu a utilização das imagens. As imagens que foram recolhidas pela RTP e cedidas para as outras estações, ao que parece. Diz o Correio, que a direcção de informação da TVI enviou um mail a todos os jornalistas, dizendo que essas imagens não eram para ser usadas nos spots permanentes do dia – são aquelas sequências de imagens montadas em resumo do que mais importante, ou recente, ou impressionante vai acontecendo dia-a –dia.

O jornal cita um dos jornalistas que terá ficado confuso com esta indicação da direcção... e que disse ao Correio que, "a ser assim, podemos adivinhar o que esperar no futuro..."

Enfim, e aproveitando a expressão desse jornalista citado pelo Correio, a ser assim, talvez o futuro nos traga um tempo em que o ruído não se sobreponha à informação, em que a anedota não prevaleça sobre o acontecimento, em que a árvore não esconda a floresta e outros aforismos... em que a polémica deixe de ser mais tentadora e apetecível do que a própria realidade, por mais aborrecida e fastidiosa e deprimente que seja...

Sim, claro que foi confrangedor, ver que o primeiro ministro, enquanto o País metaforicamente começava a arder, perdia tempo a compor a imagem... se o não tivéssemos visto não nos teríamos indignado.. e isto, quem não se sente, não é filho de boa gente, mas também, em verdade, olhos que não vêem, coração que não sente e a verdade mesmo é que nos dias que correm, devem contar-se pelos dedos, os políticos que não fazem exactamente, ou muito perto disso, a mesma figura que fez Sócrates nesse dia em S. Bento... Aliás, se já viram no Youtube, há uma pequena gravação de George Bush filho, numa situação idêntica; só que aí, o momento de descontração foi um pouco mais expressivo e um pouco menos próprio para teledifusão.
Ora também foste buscar um exemplo jeitoso!... 
E que tem?! George Bush foi presidente dos Estados Unidos.
 
E, já agora...
achais mesmo mais fuleiro apanhar o Sócrates a abonecar-se para a televisão, do que a fuçanguice com que os dois maiores partidos parlamentares discutem já na praça pública o próximo governo, enquanto o país cai nas mãos dos canalhas da alta finança?!...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

vade retro-escavadora Satanás!

Vem no Público e anuncia que será hoje publicamente apresentado em Lisboa o Youcat – coisa que dita assim não faz grande sentido, mas se lermos o resto acabamos por decifrar o enigma deste Youcat - é o Catecismo Jovem da Igreja Católica. Youcat é então a abreviatura da expressão inglesa Young Catechism – catecismo jovem - e apresenta-se como uma tentativa de actualização do outro que já havia desde 1992 – o Catecismo da Igreja Católica.
Diz o Público, que este novo livro, que traz prefácio de Bento 16 – lá iremos – retoma o texto de 92, mantendo enunciados sobre temas como os impostos, a violência, os direitos humanos ou o aborto... E diz também que o Papa quer que este livro seja lido como um romance policial... porque um romance policial é excitante, porque nos insere no destino de outras pessoas, que também poderia ser o nosso. Acrescenta o Papa que este livro é cativante porque fala do nosso próprio destino... Enfim, em qualquer livro de qualquer género ou estilo se pode conseguir essa identificação entre o leitor e a acção, ou protagonistas do livro. Mesmo na poesia, mesmo na ficção científica... Claro que nos policiais também. Aqui, uns identificar-se-ão com o bom da fita, outros com o vilão - será sempre uma questão de gosto pessoal.

Mas há mais, no prefácio de Bento 16 a este Catecismo Jovem... Escreve o Papa: "os jovens de hoje não são tão superficiais como se diz deles. Eles querem saber o que realmente é a vida..." e assim sendo, explica-se-lhes o sentido da vida em histórias de policias e ladrões... Convenhamos que é uma visão bastante desencantada da vida humana, mas é capaz de ser a mais pragmática delas todas, afinal de contas. Já quanto a esta outra passagem, em que se cita a opinião do padre Pedro Lima, director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil da Igreja Católica... sublinha o padre que no capítulo dedicado aos chamados mistérios cristãos se tenta explicar, por exemplo, como Jesus pode estar presente ao mesmo tempo no pão e no vinho... ainda que de forma invisível e oculta... E aqui estamos nós em pleno cenário de romance policial... atente-se na escolha dos adjectivos: invisível e oculto...
Ora, se se dissesse, ou explicasse , muito simplesmente que o corpo e sangue de Cristo estão no pão e no vinho... ou antes – seguindo à letra os relatos que ficaram... que o pão é o corpo de Cristo e o vinho o Seu sangue... assim mesmo e de uma forma simbólica, metafórica e não fisicamente escondido no miolo , ou diluído de forma imperceptível no vinho... porque , e não só em relação a essa metáfora da Última Ceia, boa parte dos ensinamentos cristãos e de episódios até relatados na Bíblia são metáforas, parábolas... não são para serem levados à letra sob pena de algumas desilusões... Por exemplo, se a fé move montanhas, para que precisamos nós de dinamite e retro-escavadoras?!...

terça-feira, 12 de abril de 2011

ÉPATANT ! (eh pá! tanto!?)

Vem no Diário de Notícias e ilustra o momento da tomada de posse, ontem, dos novos representantes da República para os Açores e Madeira.
Diz o jornal que, entre as várias personalidades que assistiram à cerimónia, se encontravam José Sócrates e Carlos César, o presidente da Governo Regional dos Açores. Diz também o DN que entre os presentes se destacou ainda a presença de Cavaco Silva.
Ora destacou-se porquê?... Por lá ter aparecido?!... Pois se era para dar posse aos representantes da República, que espanto haverá na presença do presidente da República, na cerimónia?!.. Talvez tenha sido o que disse Cavaco, que torna essa presença tão destacada. Vamos ouvir. 
Diz o jornal que o presidente saudou os novos representantes, considerando que o seu – deles – perfil pessoal e trajectória profissional demonstram que dispõe dos requisitos de experiência, conhecimento e estatura moral para representarem a República Portuguesa nos Açores e Madeira. Ora aí está! Foi talvez isto, o que tornou destacável a presença do presidente na cerimónia. Ou seja, ao sublinhar os requisitos de experiência, conhecimento e estatura moral dos novos representantes da República, o presidente abre a porta à hipótese da escolha poder ter tido recaído sobre gente sem experiência nenhuma, nem conhecimentos, nem estatura moral para representar a República... e isso é que torna esta escolha tão auspiciosa e a merecer mesmo o sublinhado de Cavaco às qualidades reconhecidas destes novos representantes. Porque estes têem-nas! As qualidades exigidas aos representantes da República.

Mas disse mais, o presidente da República, na cerimónia de posse. Enfim , não viria muito a propósito, por isso mesmo o jornal diz que Cavaco aproveitou a cerimónia para ... no caso, para reiterar que, para Portugal vencer as adversidades do futuro...  vamos citar: "os sacrifícios têm de ser repartidos por todos",  sublinhando seguidamente que ninguém se pode eximir ao contributo necessário.
E aí temos mais uma declaração muito oportuna, já que , se não fosse o presidente a dizê-lo, nós sozinhos nunca lá chegaríamos.

Mas, se formos a ver bem, a surpresa é mesmo o ainda nos surpreendermos, com este tipo de declarações sentenciosas.
Vamos à muito estimada página do Facebook de Cavaco Silva, presidente.
Há 5 dias, a 7 de Abril, escrevia Cavaco: "Reafirmo, perante os Portugueses, que o actual Governo contará com todo o meu apoio para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários ao funcionamento da nossa economia..."

E aí está mais uma coisa que ninguém , se calhar, estaria à espera.. que um presidente da República, da nossa, ou de outra qualquer, se manifestasse disposto a apoiar todas as medidas indispensáveis para salvaguardar o superior interesse nacional !
Em verdade, também eu, se não o lesse, não  acreditava...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ganda galo, oh Galiano!

Vem em vários jornais.
O "Público" , por exemplo, escreve que John Galiano foi ontem despedido pela casa Dior, na sequência da divulgação do vídeo, em que o designer de moda diz amar Adolf Hitler. "O britânico estava suspenso..." – continua o "Público" – "... suspenso de funções desde a semana passada, depois de ter sido detido em Paris, após insultar um casal com declarações racistas e anti-semitas.

Ora, já se viu que há certas feridas abertas que teimam em sangrar, de cada vez que se lhes toca. É também evidente, que a liberdade de expressão obedece a regras que passam pelo bom senso, pelo respeito, pela elegância, se quisermos e , neste particular, o da elegância, o estilista deveria ser mestre ...

Mas parece que não é.

Já no "Diário de Notícias" fica-se a saber que declarações foram essas , que levaram, por exemplo, Natalie Portman, israelita e que tem dado a cara pela marca Galiano, a dizer que "se sente enojada" com as declarações do costureiro.

Oiçamos então... O jornal diz que foi já em Dezembro do ano passado, se bem que a imprensa britânica só as tenha revelado na passada semana. E consta que, na gravação, Galiano insulta clientes, alegadamente um homem francês e duas mulheres italianas de um café do bairro judeu , em Paris.
Agora em discurso directo: "Eu adoro Hitler e pessoas como vocês estariam hoje mortas. Vossas mães, os vossos pais estariam hoje gaseados e mortos." Fim de citação.

Ora, o amor é uma coisa maravilhosa , mas também cruel, quando quer... e onde quero eu chegar é aqui. É que, se John Galiano tivesse vivido na Alemanha do 3º Reich e por muito amor que dedicasse ao Fuhrer, com aquelas feições e tom de pele e mais com aquele aparato de vestimenta, com que se costuma apresentar em público, estou em crer que, por muito amor que lhe tivesse, seria daqueles a quem Adolf Hitler mandaria, como se diz em linguagem futebolística,  mais cedo para o balneário.
Exactamente. Esse balneário.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diz que sim, Arrancam as ovelhas da terra à dentada e comem-nas com uma voracidade tranquila. Trabalhar as terras abre o apetite, toda a gente sabe isso.
E este deve ser já o gajo do FMI,
fazendo contas no seu prodigioso Magalhães...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

controladores aéreos espanhóis : perdonen las molestias!

Se juntarmos a estes, os voos subaquáticos ... deitem-lhe as contas ao prejuízo que a TAP não vai ter!
Sim, que os vôos por debaixo da terra não têm grande saída. Ninguém os quer. 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

o desper disse-o?!?!...

O textículo que se segue está publicado no Facebook do candidato presidencial Aníbal Cavaco Silva, sob o capítulo das "Ideias" e reza assim:

Voluntariado

Tenho orgulho nesse vasto movimento do voluntariado de milhares de mulheres e homens que representam, com o seu trabalho e a sua dedicação, os alicerces de uma cultura cívica que se impõe afirmar e valorizar. Seria difícil imaginar o que poderia ser a realidade social do nosso país sem o inestimável contributo do voluntariado.
O combate ao desperdício encontra na experiência do Banco Alimentar Contra a Fome um bom exemplo, não só de altruísmo, mas principalmente de organização, de capacidade de transformar problemas em oportunidades, de aplicar à economia da dádiva e do voluntariado critérios de eficiência e de boa gestão cujo resultado se traduz em melhor serviço para um número cada vez maior de beneficiários.

Ora, então..."O combate ao desperdício encontra na experiência do Banco Alimentar Contra a Fome um bom exemplo..."
Ainda que mal pergunte, de que género de desperdícios estará o candidato Silva a pensar? Pensará que os bens doados ao Banco Alimentar são restos apanhados do lixo?! Ou sobras de restaurantes?! Nunca terá, o candidato Silva, reparado naqueles meninos e meninas às portas dos supermercados a dar saquinhos de plástico para a gente meter lá coisas?... E, em alternativa, até há cheques de compras nas caixas, à saida.

E depois, ainda há esta pérola: "...não só de altruísmo,mas principalmente de organização, de capacidade de transformar problemas em oportunidades..."
Ora porra, digo eu, aí está uma oportunidade que dispensávamos sem grande custo. A começar pelos próprios beneficiários de tão voluntarioso altruísmo.
Ou, dito de outra forma, que desperdício de oportunidade de se ficar calado!
E disse-o.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

diz que não compensa...

Vem no Diário de Notícias, que as farmácias rejeitam a venda de remédios à dose.

Já em subtítulo explica-se que a ministra da Saúde quer que os hospitais avancem, mas a associações dizem que os investimentos que têm de fazer não compensam...

A decisão final das farmácias quanto a esta matéria só será tomada e conhecida para a semana, mas para já – e segundo o presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro - com o actual enquadramento legal, não é de esperar que haja farmácia interessada em avançar com a unidose.

Agora, alguns argumentos expostos pelos representantes do sector...

Ainda segundo João Cordeiro, a venda de medicamentos em unidose justificar-se-ia em casos de doença crónica e não em casos de doença momentânea, como, ao que parece, prevê a legislação agora em causa... E aqui, deixem que leia outra vez. Portanto, para João Cordeiro, presidente da Associação Nacional de Farmácias, fará mais sentido vender comprimidos, por exemplo, em unidoses, nos casos de doença crónica. Ou seja, nos casos em que a medicação tem de ser tomada até ao fim dos dias do doente. É nesses casos que, em vez de comprar uma caixa e depois, acabada a caixa comprar-se outra, já que, infelizmente, a doença em causa é cruz que o paciente tem de carregar o resto da vida... é nesses casos que João Cordeiro acha que a venda dos comprimidos em doses individuais é justificável. Já nos casos de doenças pontuais, como uma gripe sazonal, ou uma outra qualquer maleita que se resolva com 3 colheres de xarope e duas pastilhas... aí, o presidente da Associação Nacional de Farmácias acha que o doente deve comprar uma caixa inteira e depois o que sobrar, ou espera que expire o prazo, para mandar o que sobrou para o lixo, ou então espera que a vizinha de cima se constipe também, para lhe dispensar o resto da caixa...

Mas não. Porque, logo a seguir, um par de linhas mais à frente, é ainda João Cordeiro quem afirma, que a venda de unidoses para doenças como uma gripe seria uma situação mais pontual... Pontual seria; o que fica por perceber-se é se essa definição quer dizer que acha bem a venda de unidoses para gripes... o que, a ser verdade, parece chocar frontalmente com o que se tinha acabado de ouvir dizer... que só em casos de doença crónica se justifica, ou compensa, a venda de medicamentos em unidose... que uma gripe, deus nos livre, não é uma doença crónica!

E o verbo compensar não caiu aqui de pára-quedas. Oiçamos agora Carmona e Silva, presidente da Mesa da Assembleia-geral da Central Farmacêutica... As farmácias querem a unidose mas não como está. O preço previsto não compensa. Só valeria a pena se houvesse uma margem compensatória na casa dos 30% por comprimido. Diz Carmona. E Silva.

A rematar a notícia, o DN apresenta um ou dois argumentos, contra e a favor da nova medida. Do lado das vantagens, por exemplo, há um estudo que aponta para uma poupança de 140 milhões de euros para o Estado e cidadãos... Do lado das desvantagens... dizem as farmácias que o investimento para implementar a medida é insuportável e tão preocupante quanto isso é que – diz a Indústria - em unidose não se garante a segurança dos medicamentos.

Só não se garante se não se quiser! Porque em verdade, um raciocínio destes pressupõe uma de duas coisas... Ou os medicamentos vendidos em caixa não são analisados um a um e aí ninguém nos garante que numa caixa de 20 não venha um, ou dois, ou mesmo 3 estragados e capazes de envenenar alguém e o mandar senão para o outro mundo, pelo menos para as urgências médicas, para uma lavagem ao estômago... Ou então não. E se eles são todos obrigados a testes de qualidade... tanto faz que depois os vendam todos aos vintes, numa caixa só, ou à dose, consoante as necessidades pontuais do doente.

Ao mais e ao resto, digo eu, na peida e haja saúde!

O Milagre de Moisés explicado pela ciência

O Milagre de Moisés explicado pela ciência – anuncia hoje, na capa, o Diário de Notícias.

Diz a legenda... segundo a Bíblia, Moisés ergueu as mãos para o Mar Vermelho e durante toda a noite Deus separou as águas com um forte vento leste, para permitir a fuga do povo hebreu do Egipto para a Palestina. De manhã, quando o exército do faraó tenta segui-los foi engolido pelas águas*.

Ora agora, continua o DN, uma nova simulação de computador concluiu que um fenómeno natural pode realmente ter permitido o “milagre”, mas que ele aconteceu no Nilo. Portanto e segundo essa simulação de computador, o que aconteceu por essa altura foi mesmo um vento de leste de uns bons cem quilómetros por hora ter soprado, só que sobre as águas do Nilo, separando-as tal como reza a lenda, ou o milagre, descrito na Bíblia...

Houve também quem já tivesse levantado a hipótese de uma erupção vulcânica ter sido a responsável pelo prodigioso acontecimento.

E até pode ter sido verdade, que um vento de leste de 100 à hora tenha separado as águas do Nilo, ou que um vulcão tenha produzido efeito semelhante nas do Mar Vermelho... Como também pode ser que seja uma tarefa quase inútil, querer descobrir, revelar, explicar, ou entender, à luz da Ciência uma coisa que só vale mesmo pelo simbolismo, pela metáfora... É que além do mais abre um precedente complicado de gerir... Como é que a Ciência conseguirá explicar, por exemplo, o milagre da multiplicação dos pães, ou da transformação da água em vinho, ou o aparecimento de Cristo aos apóstolos, 3 dias depois de ter sido crucificado até à morte?... É verdade que muitas das coisas que hoje nos são absolutamente familiares e sem segredo eram, algumas até há muito pouco tempo, do domínio do fantástico, do impossível ... E do impossível, mesmo para a Ciência.

A questão é que há de facto um campo infinito de coisas para descobrir e revelar e conhecer a explicação... um campo fértil de pesquisa para a Ciência. Saber a verdade, ou ter uma explicação razoável para os milagres da Bíblia ou de qualquer outro livro sagrado pode ser um desafio curioso para os cientistas, mas de interesse nulo para os crentes dessas religiões... Já quanto ao resto… e falo mesmo daqueles para quem a religião, ou os milagres não dizem grande coisa… estou em crer que, mesmo assim, para esses sempre é mais interessante a descrição maravilhada de um milagre, do que explicações meteorológicas , ou outras. Seja como for e fosse de onde fosse que o vento tivesse soprado naquela altura em que os judeus fugiam das tropas do faraó... até hoje, não haveria Moisés que não dissesse que só um milagre os podia salvar. Porque em verdade, verdade vos digo… quem quiser defender a tese bíblica não vai ter grande dificuldade. Basta dizer – pois sim, foi um vento de leste... mas quem o mandou soprar daquela maneira e precisamente naquela altura?...

*pois não, o gajo que escreveu isto baralhou os tempos dos verbos e misturou o pretérito com o presente... caga lá nisso!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

com o tempo haveríamos de nos habituar

Provavelmente não passa de especulação, já que só hoje, em Conferência de Imprensa, é que Paulo Bento vai contar todos os pormenores do contrato que o faz, a partir de agora, seleccionador nacional de futebol.

Pois diz o Jornal de Notícias que Bento vai ganhar metade de Queiroz... Carlos Queiroz, o demitido. Ou seja, o novo seleccionador nacional vai ganhar 70 mil euros por mês. Já o Público afirma que Paulo Bento vai ganhar pouco mais de 60 mil euros por mês, o que equivale a menos de um terço do que ganhava Carlos Queiroz. E aqui as contas começam a desacertar-se. Por mais voltas que se dê, um meio é sempre mais que menos de um terço. Seja como for e pelas contas do Público, Paulo Bento vai ganhar 900 mil euros por ano, durante os próximos dois anos, até 2012, que é o prazo do contrato.

Já o Correio da Manhã adianta que o seleccionador ganhará mais 8 mil euros de prémio por cada jogo vencido e ainda mais 300 mil euros se Portugal conseguir chegar à fase final do Campeonato Europeu.

Ora , em tempo de crise, com tantas e tão deprimentes notícias envolvendo a economia nacional e, ao mesmo tempo, a economia nossa doméstica de cada dia... é reconfortante podermos desanuviar o ambiente com notícias destas... de gente tão bem sucedida profissionalmente e tão bem paga, apesar de tudo. Apesar de poder vir a ganhar menos que Carlos Queiroz e menos ainda que Luís Filipe Scolari, mesmo assim, Paulo Bento vai ganhar mais do que, por exemplo, um primeiro ministro.

E esta é daquelas notícias que, ao mesmo tempo e de súbito inspiram ideias estranhas. Por exemplo... porque não passar a escolher os governos da mesma maneira? Ou seja, em eleições directas como agora, mas com a diferença dos primeiro-ministros serem escolhidos como são os treinadores de futebol. Tanto faria que fosse português ou de um outro qualquer país... da Europa , vá, para não nos dispersarmos muito... Mas com a mesma lógica e uma remuneração idêntica. Porque, justiça lhe seja feita... apesar de tudo, parece mais importante governar bem um país que vencer uma taça num campeonato de futebol... Talvez por isso se justificasse também que um primeiro ministro ganhasse mais, ou no mínimo, o mesmo que um treinador de futebol...

Mas , justiça feita, sobraria essa vantagem... a de que os primeiro ministros haveriam de ser escolhidos preferencialmente e havendo dinheiro para isso, entre os melhores.
Quanto ao dinheiro... Também aqui se poderia adoptar o mesmo procedimento, ou seja, arranjar mecenas patrocinadores. Talvez isso obrigasse o primeiro ministro a aparecer em actos públicos de camisola, ou boné, com o logótipo dos patrocinadores. Seria estranho a princípio, mas com o tempo haveríamos de nos habituar.

Agora, a vantagem e a diferença substancial seria que os candidatos a primeiro ministro eram escolhidos em função dos bons resultados já conseguidos profissionalmente e não em função de inspirados dotes de oratória, ou a capacidade de arrumar mais promessas por metro quadrado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

proposta para uma rápida substituição de Teixeira dos Santos, no Ministério das Finanças. Com todas as vantagens, mesmo as mais óbvias.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Edição Especial por Conta (não pode ser vendido separadamente)

Confesso que não senti emoção especial, nem particular estremecimento, quando vi que tinha finalmente sido reconhecido como Puta do Estado. Tardava a distinção, mas chegou, finalmente, este ano, ao receber os avisos do Fisco,  reclamando  o meu Pagamento Especial por Conta, sobre os meus putativos e futuros Direitos de Autor. Sem se faz favor e partindo desse princípio duvidoso e estúpido de que todas as Putas são iguais. Erro grosso. Eu passo a explicar.
O Estado Português, ou o Cavalo que o representa nas devidas instâncias, baseia-se na facturação que um gajo fez há dois anos, para cravar, em avanço, uma percentagem do que, por essas contas, esse mesmo gajo vai fazer, no ano em curso. A razão de tão acrobática matemática é simples. O Estado fodeu as contas e agora está à rasca e deita mão a tudo o que é trocos, para remediar a merda que fez. Porque é que não pede por favor?... Isso é, naturalmente, pela óbvia falta de educação que o caracteriza, herdeira da plutocracia fascista, que lhe ficou colada ao cú, desde o Tempo da Outra Senhora. Não percamos, por isso, tempo com isso agora.
Portanto, o Estado português faz as contas ao facturado há dois anos e conclui que, este ano, o facturante vai facturar mais ou menos o mesmo. E é daí que faz as contas.
As contas de quanto vai pedir por conta e à ordem para ir pagando a prazo e se não houver merda outra vez...
E é daí que vem mais uma cavalidade do Estado Português, ou da Besta que o representa nas devidas instâncias.
Parte, o mentecapto, do princípio de que todas as Putas são iguais. Já se disse. Erro grosso. Já se disse também. Passo a explicar, em continuação.
Compara um Médico a um Artista de Variedades. 
Um trata os males do corpo, o outro, os males da alma... É bem verdade, mas fica-se por aí, a semelhança entre as duas Putas.

Entretanto e antes que se perca o rumo e o mote que nos trouxe aqui... que outra relação pode haver entre o Pagamento Especial por Conta e aquilo que algumas Putas dão a uns senhores, que as protegem dos Maus?...  O destino que esses senhores dão ao guito, por exemplo... Como os chulos, o Estado gasta o guito em droga e outras putas.
Alimentando a PEC's e Pão de Ló a debochada Máquina do Poder.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

articulas bem mas não provocas especial contentamento ao meu espírito crítico e timorato

O jornal "I" traz hoje uma página inteira dedicada à felicidade do nosso país. É um concurso. Um concurso de ideias e sugestões para um Portugal feliz. Um concurso patrocinado pelo próprio jornal, mais uma editora e uma conhecida marca de gelados... Ideias para um Portugal feliz.
O desafio apresenta-se assim: ajude a construir um país melhor, diga-nos qual é o seu ideal de felicidade, ou então conte-nos apenas uma história inspiradora... partilhe a sua ideia conosco, que as ideias mais felizes serão publicadas regularmente ás sextas nas páginas do jornal...
E porque hoje é sexta, elas aí estão, algumas ideias dos leitores.
As melhores desta semana ...
Uma leitora sugere que haja música e dança nas ruas. Pelo menos nas de maior movimento. Isso e grupos de animação a dançar entre os transeuntes e convidando-os mesmo a dançar também... Enfim, como um musical de Hollywood , mais ou menos.
Outra sugestão para tornar Portugal mais feliz, é os pais passarem algum tempo a ler para os filhos, a incutir-lhes o gosto pelo saber, a espevitar-lhes a sede do conhecimento...
Há também quem defenda que Portugal pode ser mais feliz se ajudássemos material e moralmente os mais velhos, os idosos que vivem sozinhos... se aumentássemos o sentido de comunidade e partilha, para podermos andar na rua com orgulho de ser portugueses...
Há também quem, com uma certa graça, aliás , defenda que o segredo passa por viabilizar os cheques dentista... assim, os portugueses não teriam vergonha de sorrir abertamente, para mostrar que estão felizes...
Há ainda quem defenda que um sorriso no rosto é a chave da felicidade, da nossa e dos outros... sorrir todos os dias para quem caminha ao nosso lado...
E temos ainda este leitor, que acha que o segredo da felicidade passa por incutir valores. E dá exemplos... exemplos dos valores a incutir... a iniciativa, a exigência, a responsabilidade, a criatividade, a combatividade e o humanismo... acrescenta ainda, a esta lista de valores a incutir ... o risco. Ora o risco será um valor?!... Ou antes e eventualmente, uma das contingências de quem persegue ou defende certos valores?... Enfim, não importa e adiante. Defende ainda, este leitor, que Portugal seria mais feliz se estes valores fossem incutidos e, no caso... citemos: "aos alunos do sistema educativo." Aos alunos do sistema educativo, diz este leitor... e deve ter toda a razão. Portugal seria talvez um pouco mais feliz... e mais ainda, se começasse a falar direito, como se costuma dizer...
"Aos alunos do sistema educativo"...!? Aos miúdos da primária, caraças!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

com Fafe ninguém fanfe, carago!

Chega a ser comovedora, a forma como uma pessoa se pode dedicar a uma causa, ou até mesmo a uma outra pessoa...
Vem no DN, que André Figueiredo e Rui Paulo Figueiredo, respectivamente chefe e adjunto do chefe de gabinete de José Sócrates, saíram ontem, na Internet, nas respectivas páginas pessoais, em defesa do primeiro ministro no caso Freeport.
Não que ele precise muito, agora que o caso foi dado como esclarecido pela instrução do processo. Todos já sabem; só há dois acusados de tentativa de extorsão - Charles Smith e Manuel Pedro , da Smith e Pedro, a empresa mediadora do negócio... enquanto o nome do primeiro-ministro sai limpo do caso. O próprio já disse mesmo que, a partir de agora, nem quer voltar a ouvir falar do assunto.
Mas estes dois Figueiredos não.
E ontem lá estavam – diz o DN... lá estavam na Internet a dizer o que cada um pensa do caso.
O adjunto do chefe de gabinete, Rui Paulo Figueiredo, acha que certa comunicação social sai muito mal vista desta história, pela forma como cobriu o desenrolar dos acontecimentos... diz que, afinal... "são sempre os mesmos..." Os que tentam e vão continuar a fazer política na base da manipulação da informação e dos factos.
Já o outro Figueiredo... André Figueiredo, o chefe de gabinete de Sócrates, é mais acutilante no comentário.
"Finalmente, sim finalmente..." - consta que é assim que começa o texto... "Finalmente... O que se passou nos últimos 6 anos, no âmbito deste caso Freeport, foi uma Vergonha (Vergonha e Finalmente em letra grande, no original...) foi uma objectiva perseguição toda bem montada e bem explorada..."
E aqui até parecia que estávamos a ouvir o próprio primeiro ministro a falar, mas não... é André Figueiredo, o chefe de gabinete... que continua, ainda mais aceso e quase ameaçador... quase, não! Oiçamos:
"Agora espero que tenham reparado que não será assim que nos vencem, não através destas medíocres jogadas... não nos vencem não..."
Portanto, o aviso fica dado... a quem alguma vez, eventualmente pensar, ou sentir a impertinente tentação, de puxar André Figueiredo para o centro de alguma polémica semelhante, ou só vagamente parecida com esta, do caso Freeport... pois que se acautele! Que, com André Figueiredo a coisa fia mais fino.